A CIÊNCIA DO "SENTIDO ARANHA"



Neste final de semana, dia 29 de julho, estreou oficialmente no Brasil o longa “Homem-Aranha: Um Novo Dia” (Spider-Man: Brand New Day). O filme é estrelado por Tom Holland e dirigido por Destin Daniel Cretton e dá continuidade ao que aconteceu em “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” (Spider-Man: No Way Home, 2021) onde, após o feitiço do Dr. Estranho, o mundo esqueceu que Peter Parker existe. Quatro anos depois, de acordo com a sinopse divulgada, Peter protege anonimamente a cidade de Nova York como o herói Homem-Aranha e investiga uma nova e poderosa ameaça enquanto seus superpoderes passam por uma evolução surpreendente e potencialmente perigosa.


Aproveitando a estreia do novo filme do amigão da vizinhança, reproduzo aqui um tópico do livro “A Física e os Super-Heróis” Vol.1, no qual é analisada uma possibilidade científica para o sentido aranha, que alerta o personagem sobre qualquer perigo à espreita. Seguimos com o texto:


Capítulo 3, tópico 3

O sensor aranha”


Outra habilidade que Peter adquire ao ser picado pela aranha radioativa é o

sentido aranha”, uma espécie de sexto sentido que o alerta de um perigo à

espreita. Essa capacidade de detectar uma ameaça iminente proporciona ao

herói grande vantagem sobre seus oponentes, e dela encontram-se

características similares nas aranhas. Os aracnídeos também possuem a

capacidade da percepção dos acontecimentos ao seu redor, com um dos

sistemas sensoriais mais completos do reino animal. Esses sentidos devem-se à

grande quantidade de pelos que cobrem a superfície de seus corpos. Eles

atuam como “antenas” sensoriais, detectando variações e captando

informações no ambiente em sua volta. Em algumas espécies, essa capacidade

sensorial é utilizada para capturar presas no escuro, substituindo, e muito bem,

a visão. A quantidade de pelos em seus corpos pode ultrapassar o número de

40.000 por cm2, com cada um conectado por três células sensoriais, as quais

possuem a função de transmitir ao sistema nervoso central, por meio de

impulsos elétricos, os estímulos e as informações captados do ambiente por

intermédio dos pelos espalhados no corpo do animal. Algumas espécies de

aranha podem sentir o movimento de algo até três metros de distância, apenas

pela variação da pressão no ambiente ao seu redor, utilizando-se dessa

capacidade também para sua defesa. Os seres humanos possuem uma média de

apenas 60 pelos por cm2, com cada um conectado a apenas uma célula

sensorial. Com isso, os pelos de nossos corpos não são tão eficientes na função

de captar as informações e enviá-las ao cérebro. Eles nos dão uma menor

noção do que ocorre no ambiente onde estamos e, intuitivamente, do que

poderá ocorrer.

Os pelos sensoriais dos aracnídeos são tão sensíveis que uma força de

apenas 0,000001 Newton é suficiente para desencadear esse eficiente

mecanismo de detecção de estímulos. É como se pudéssemos sentir um

objeto de apenas 0,0001 grama sobre nossa pele. As aranhas conseguem sentir

algo mesmo antes de serem tocadas, apenas captando a variação da pressão do

ar causada pelos objetos indo ao seu encontro. Por isso, é tão difícil você

acertar aquela chinelada em uma aranha quando se aproxima dela. Para que o

Homem-Aranha pudesse se aproveitar de todo esse arsenal sensorial, deveria

ter 700 vezes mais pelos por cm2 em seu corpo. Cada um deles deveria estar

ligado a pelo menos três nervos que fariam a comunicação com o cérebro, e

não apenas um, como ocorre nos seres humanos. Uma alternativa seria de,

mantendo a média de 60 pelos por cm2, cada um ser ligado não por uma, mas

por 2 mil células sensoriais, que estariam a todo momento enviando

informações ao cérebro, num complexo e eficiente mecanismo de defesa que

ele teria a seu favor.


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