A FÍSICA E OS SUPER-HERÓIS OS SUPER-HERÓIS: UM PROJETO DE SALA DE AULA QUE VIROU UM LIVRO




Neste primeiro texto do blog quero compartilhar como surgiu a ideia de falar de física utilizando os personagens da cultura midiática. A idéia germinou em 2020, época  turbulenta na qual vivíamos sob as medidas de isolamento social essenciais para conter o avanço da pandemia causada pelo vírus da COVID-19. Ao ler uma reportagem sobre a exatidão dos conceitos da mecânica quântica trabalhados no filme Homem-Formiga (Ant-Man, 2015), considerei a possibilidade de levar isso para a sala de aula. Supus que falar de física a partir das análises científicas das proezas dos super-heróis, das cenas de filmes ou quadrinhos, poderia despertar um interesse nos estudantes pelo conteúdo abordado. Como estávamos vivenciando o ensino remoto, resolvi aceitar este desafio, pensando em um público já desmotivado por conta do isolamento social. 

Comecei a pensar, pesquisar e preparar uma aula que usaria os poderes de alguns super-heróis para explicar conceitos de física. Não seria uma aula sobre um conteúdo específico para uma turma específica, seria uma aula para apresentar a física de uma outra maneira.  E quanto mais pesquisava, quanto mais fundo caminhava nesses estudos, uma aula virou pesquisa. E a pesquisa, personagem por personagem, foi crescendo até não caber mais em um plano de aula. Dou aula de física para o Ensino Médio desde 2005 na rede pública de Petrópolis, e conheço bem o problema: física tem fama de matéria difícil, distante, cheia de fórmulas que os estudantes acham que não possuem sentido. Eu sabia, pela prática, que quadrinho e cinema de herói eram uma porta de entrada e não mero enfeite. Os alunos já chegavam com o repertório pronto, só faltava eu me conectar a ele. Foi assim que aquela pesquisa para uma única aula virou livro. E o livro, depois, virou dois, e três.

Um projeto, três frentes

A Física e os Super-Heróis nasceu justamente da tentativa de despertar o interesse pela física,  e por isso ele nunca foi um projeto de uma coisa só. Ele é, ao mesmo tempo, três projetos correlatos e harmônicos. O primeiro é uma jornada pessoal. Escrever um livro, e depois uma trilogia, enquanto se dá aula todos os dias, não é trivial. Foram madrugadas revisando capítulo, fins de semana lendo artigo científico para garantir que cada afirmação sobre buraco negro, radiação ou onda sonora estivesse correta, e a insegurança normal de quem está estreando como autor. Cada volume publicado carrega um pouco dessa renúncia e dessa trajetória de professor que resolveu se arriscar fora da sala de aula, sem deixar de ser professor nem por um capítulo.

O segundo é divulgação científica. Existe um público enorme de fãs de quadrinhos e cinema que nunca teve motivo para se interessar por física, e existe um público de estudantes de física que já ama herói. O que eu precisava fazer era entregar algo para conectá-los. O livro tenta ser esse elo: pegar um conceito real, mas considerado abstrato, como relatividade, mecânica quântica, ondas, termodinâmica… e explicá-lo a partir de uma cena que o leitor já assistiu, sem simplificar a ciência para caber na ficção. Ou seja, o herói é a porta de entrada, mas quem sai pela outra ponta entendeu física de verdade.

O terceiro é o que mais me move como professor: transformar isso em ferramenta de sala de aula. Não basta o livro divertir; ele precisa também ser útil para quem ensina. Por isso venho desenvolvendo, em paralelo aos volumes, material pedagógico complementar alinhado à BNCC, pensado para outros professores usarem os mesmos gatilhos que funcionaram com meus alunos, sem precisar reinventar a aula do zero. A ideia de fundo é simples: se o Flash me ajudou a prender a atenção da minha turma em uma aula sobre relatividade ou velocidade relativa, ele pode ajudar qualquer professor de física do Brasil.

Por que isso importa

Nenhuma dessas três frentes faz sentido sozinha. Um livro só de divulgação científica vira só mais um produto de nicho geek. Um material só pedagógico, sem a narrativa e o carinho pelo personagem, vira apostila, algo que ninguém lê por prazer. É a combinação das três coisas que faz o projeto ter propósito: um professor contando, com rigor e com afeto, como a física que ele ensina todo dia também vive nas histórias que seus alunos já amam.

Se você chegou até aqui, acho que vale dois convites. O primeiro é conhecer a trilogia A Física e os Super-Heróis,  ela está disponível pela Editora Appris e em outros pontos de venda, e cada volume caminha por personagens e conceitos diferentes. O segundo é para quem também dá aula: se você é professor de física e tem interesse no material pedagógico que venho construindo a partir do livro, acesse o site xxxxxxxx onde compartilho mais sobre esse lado do projeto, e vamos caminhar juntos nesta jornada. 



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